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Desemparedando escolas

Um dos espaços mais potentens (e urgentes) para a promoção do desemparedamento são as escolas - onde bebês e crianças podem passar até 7h por dia!


Para inspirar, relato de uma experiência que promovemos numa CEI no Butantã com vitórias reais que superaram expectativas ♡


Levem as crianças para as praças!


A realidade dessa CEI é comum a tantas outras em São Paulo: uma casa adaptada, revestida de EVA e um solário de grama sintética, apesar de estar a poucos metros de uma praça pública de qualidade, ocupada pela comunidade.

Embora houvesse o desejo da diretoria em desemparedar, o medo era um entrave.

Temor vs Espaço ao ar livre
Temor vs Espaço ao ar livre

Através do apoio técnico-pedagógico embasado em legislação e evidências científicas, o corpo docente obteve a segurança necessária para dialogar com as famílias, e assim realizamos essa intervenção com 46 bebês e crianças de 1 a 4 anos e 7 educadoras, incluindo a gestão, o corpo docente e auxiliares.


Com as saídas mediadas o medo deu lugar à autonomia, as crianças não "saíram correndo" desordenadamente, como se temia.


As professoras se permitiram tirar os sapatos e sentir a terra, redescobrindo o prazer e promovendo o bem estar do pé no chão.


Earting - trocar energia com a Terra nos regula!
Earting - trocar energia com a Terra nos regula!

E a escola passou a pedir autorizações mensais (e não mais diárias), incluindo o desejo de oferecer às crianças banhos de chuva.

Aah! O gostinho de vitória é petricor! 🥰🍃🌨️


Ocupar a cidade é um direito das infâncias


Esta experiência vai de encontro às Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI) como o primeiro passo para superar o medo da cidade e garantir o desenvolvimento pleno e saudável das crianças.


Desemparedar também fortalece a sensação de pertencimento com o território e é preciso conhecer para poder amar e cuidar.


Quando ocupamos os espaços públicos podemos contribuir para a nossa segurança, reconhecendo vizinhos, comerciantes, e mitigando a sensação de insegurança urbana.

Praça ocupada e cuidada pela comunidade, 2 minutos de caminhada partindo da CEI.
Praça ocupada e cuidada pela comunidade, 2 minutos de caminhada partindo da CEI.

Diretrizes Curriculares que apoiam ações como essa


Expandir os muros da escola para incluir os espaços verdes urbanos, vai de encontro a diretrizes curriculares tais como:

*Trechos retirados do DCNEI 2010


  • Promoção do conhecimento de si e do mundo por meio da ampliação de experiências sensoriais, expressivas, corporais que possibilitem movimentação ampla, expressão da individualidade e respeito pelos ritmos e desejos da criança;

  • Construção de novas formas de sociabilidade e de subjetividade comprometidas com a ludicidade, democracia e sustentabilidade;

  • O estabelecimento de uma relação efetiva com a comunidade e saberes locais;

  • Incentivo à curiosidade, exploração, encantamento e às descobertas das crianças em relação ao mundo físico, social, ao tempo e à natureza;

  • Promoção da interação, cuidado, preservação e conhecimento da biodiversidade e da sustentabilidade da vida na Terra;

  • Acessibilidade e inclusão para as crianças com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação;


Desplastificação da infância


Em tempo, uma das facetas importantes desse trabalho é em relação aos estímulos sensoriais naturais vs materiais sintéticos, que vem sendo desestimulados na educação infantil (tais como EVA e grama sintética).


Hoje sabemos quão importante é a criança ter contato com diferentes texturas, cheiros, cores, sons, para conhecer o mundo e se regular - em detrimento da plastificação do brincar, que uniformiza e diminui possibilidades com materiais que desprestigiam a natureza das crianças e do planeta.


Muito se pode fazer com os materiais naturais encontrados nas experiências ao ar livre, identificados pela curiosidade das próprias crianças.

Esse é um recorte de um trabalho que hoje parece “de formiguinha", mas que colhe evidências para se tornar política pública.

Nossas crianças merecem um futuro.

Como é na sua escola?


Conheça o Sementores e vamos nos fortalecer!

 
 
 

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